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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O ambiente também nos transforma: quando começamos a viver como aquilo que nos cerca.

 (por Cidinha Pascoaloto)

 Existe uma frase que merece ser levada a sério quando pensamos sobre comportamento humano: nós não apenas habitamos os ambientes; os ambientes também passam a habitar em nós. A maneira como vivemos, as pessoas com quem convivemos e os hábitos que se repetem ao nosso redor participam, muitas vezes silenciosamente, da construção do nosso comportamento.

Imagine uma pessoa que sempre foi organizada e que, em determinado momento, passa a morar com alguém extremamente desorganizado. No início, ela se incomoda, recolhe as roupas espalhadas, organiza os objetos, limpa o que foi abandonado e tenta manter a rotina que sempre teve. Mas, com o passar do tempo, algo pode mudar.

Ela começa a deixar algumas coisas para depois, passa a tolerar objetos fora do lugar e, pouco a pouco, aquilo que antes lhe causava incômodo começa a parecer normal.

Ela não acordou um dia e decidiu: “agora vou ser desorganizada”. A mudança aconteceu nas pequenas repetições.

Quando somos constantemente expostos a uma determinada situação, tendemos a nos adaptar a ela. O que inicialmente chama nossa atenção pode, com o tempo, deixar de provocar a mesma reação.  A bagunça que antes parecia gritante passa a fazer parte da paisagem. Não precisamos controlar todas as pessoas ao nosso redor, mas podemos observar o que está acontecendo conosco.

Uma pergunta simples pode ser poderosa: “O que em mim está mudando por escolha e o que está mudando apenas porque me adaptei ao ambiente?” Porque algumas mudanças acontecem tão devagar que não percebemos que estamos mudando.

 E, quando finalmente percebemos, talvez seja hora de escolher novamente aquilo que queremos conservar em nós. Entretanto, existe um perigo quando a adaptação se torna excessiva: podemos começar a abandonar comportamentos importantes para nós apenas porque o ambiente não os sustenta.

 Nem tudo o que se torna habitual merece permanecer.

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quarta-feira, 4 de março de 2026

Comportamento Antissocial: Origem, Impactos Familiares e Estratégias de Proteção Emocional

 Por: Cidinha Pascoaloto -Psicóloga:

Os traços de comportamento antissocial têm base genética, fatores biológicos, sociais e ambientais e começam geralmente na adolescência ou até na infância antes dos 15 anos, principalmente quando esses comportamentos trazem algum tipo de ganho imediato como poder, controle, vantagem pessoal ou ausência de consequências.

Indivíduos que apresentam esses traços ignoram normas sociais básicas, tem dificuldade em sentir culpa ou remorso, impulsividade, manipulação, baixa empatia e comportamentos agressivos ou irresponsáveis.

 Mas nem todo comportamento agressivo ou irresponsável indica transtorno. O cérebro dessas pessoas processa consequências sociais de maneira diferente, priorizando a satisfação imediata de desejos pessoais.

No núcleo familiar, o comportamento antissocial manifesta-se através de irresponsabilidade financeira constante e pelo não cumprimento de acordos básicos estabelecidos na rotina familiar, e os membros sentem-se constantemente explorados ou enganados. Há mentiras recorrentes sobre gastos excessivos e uso de recursos comuns indevidos. Exploração financeiramente  parentes idosos com justificativas cínicas que violam o espaço pessoal e a dignidade da pessoa. A quebra de confiança destrói a estrutura familiar ao longo dos anos de convivência.

 Entender essa lógica fria é essencial para evitar manipulações afetivas e financeiras em relacionamentos íntimos ou profissionais.

Esses traços não definem o caráter, mas indicam a necessidade urgente de intervenção psicoterapêutica ou psiquiátrica. Quando a impulsividade e o descaso pelas normas sociais se tornam a regra, o risco de isolamento e problemas jurídicos aumentam drasticamente. O tratamento visa não apenas à adaptação social, mas também à proteção da vida do indivíduo e de quem o cerca. Manter uma distância profissional e emocional é a melhor estratégia ao lidar com pessoas que apresentam traços persistentes de desonestidade.

Preservar a paz interior é a prioridade máxima diante de personalidades tóxicas e abusivas em qualquer esfera da vida social.

Cidinha Pascoaloto-Psicóloga, CRP 06/158174. Presencial e online

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